quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Pablo Neruda - Poema 20

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 05:09 0 comentários
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe”.

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela quis-me e por vezes também eu a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la!
Está estrelada a noite e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Como para aproximá-la, o meu olhar procura-a.
Meu coração procura-a e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Porém, nós já não somos os mesmos desses dias.

Já não a amo, é certo, mas quanto a amei!
Minha voz buscava o vento para tocar os seus ouvidos.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A sua voz, o seu corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é certo, mas talvez ainda a ame.
É tão breve o amor e tão longo o olvido.

Porque em noites como esta tive-a nos meus braços,
Minha alma não se conforma com tê-la perdido.

Embora esta seja a última dor que ela me causa,
E estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Hikari no machi - City of Light

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 03:44 0 comentários

Mangá de autoria de Inio Asano publicado na revista Sunday GX, retrata a vida em uma cidade em volta de um condomínio de luxo.  
O mangá retrata muito bem a sociedade em que vivemos, onde muitas vezes coisas realmente obscuras ficam escondidas debaixo do pano, vemos pessoas que vivem da sua imagem nessa história, outras sofrendo com as imposições da sociedade. 



A estrutura da mangá consiste em várias histórias individuais que se ligam ao decorrer da trama ligando estes personagens em um só contexto.
Muito evidente na trama de Asano, vemos não só o efeito da nossa sociedade nos dias de hoje afetando adultos mas, seus efeitos principalmente em jovens e crianças. Enquanto uns crescem sem esperança ou futuro, outros desistem da vida muito cedo. Asano retrata muito humanamente a vida de assaltantes, jovens que resolvem viver da prostituição, doentes mentais e suicidas, mostrando o lado dos excluídos e como a culpa não é realmente deles, mas sim do sistema. 


Como podemos culpar uma pessoa que tenta de todas as formas conseguir um emprego e por não ser aceita resolve roubar para ter o que comer? Como culpar uma jovem que sofre abusos e resolve se prostituir para ter dinheiro e fugir de casa? Situações complicadas nos colocam a pensar no que é certo e errado, e em como é difícil definir isso nos dias de hoje.
Como em toda a obra do autor, a história segue em um clima melancólico e repleto de simbolismos, muitas explicações são subjetivas, não muito as claras. São os pequenos detalhes que importam. 
Obra super indicada para os amantes do gênero e para os fãs do autor!





Persuasão

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 03:01 0 comentários
"anne não conseguiu, de imediato, lembrar-se de uma nova citação. as doces cenas outonais teriam de ser postas de lado durante algum tempo - a não ser que lhe viesse a mente algum soneto cheio de analogias com o ano em declínio, com a felicidade em declínio e com imagens de juventude, esperança e primavera, tudo junto."

Jane Austen

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Les misérables / Notre Dame de Paris

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 07:09 0 comentários
Trazendo dois dos meus musicais favoritos!
Sou apaixonada pela obra de Victor Hugo, e por coincidência sou apaixonada também por musicais. Adoro as peças da broadway e afins e assisto sempre que posso. Felicidade minha então quando me deparei com essas duas belezinhas:

Les misérables 10ht aniversary:




Só havia assistido o 25ht anniversary, que por acaso não gostei muito (a pesar de Samantha Barks ser a melhor Eponine na minha humilde opinião), sempre que assistia trechos do décimo aniversário gostava mais das performances. Fiquei felicíssima de achar a apresentação completa de Les Mis, ela está legendada em inglês e é linda!


Notre Dame de Paris:



Também conhecido como The Hunchback of Notre-Dame ou O Corcunda de Notre Dame, essa é a apresentação do musical francês (que eu achei muito mais bonita), está com legendas em francês e também inglês. Não conhecia esse musical, ao contrário de Les Mis, e quando assisti fiquei encantada. Muito mais bonito que a versão da Disney, e muito fiel ao livro (muito obrigada por isso!). Além disso o francês é bem mais bonito cantado que o inglês, então tive que parar de babar e prestar atenção nas legendas - um dia ainda vou aprender a falar essa língua tão linda! Adorei os atores, em especial os que fazem o papel de Gringoire e Quasímodo. 

Aproveite!


How I feel today

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 02:09 0 comentários
                                   

From: tumblr

domingo, 3 de novembro de 2013

Alice no país das maravilhas

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 14:28 0 comentários
                        

Alice no país das maravilhas é um dos meus livros favoritos, a forma como Lewis consegue decifrar a enigmática mente humana por meio de alegorias e de personagens caricatos leva a aventura de Alice no submundo a um outro patamar. No final não é só Alice que muda o leitor também, e acabamos por descobrir no final que precisamos nos perder para achar quem realmente somos, e que nesse mundo nada é o que parece.

Citações:

"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas mas não posso explicar a mim mesma..."

"Mas eu não ando com loucos", observou Alice. 
"Oh, você não tem como evitar", disse o Gato, "Somos todos loucos por aqui. eu sou louco. você é louca".
"Como é que você sabe que eu sou louca?", disse Alice.
"Você deve ser", disse o gato, "senão não teria vindo para cá."
"E como você sabe que é louco?"
"Para o começo de conversa, disse o Gato, "um cachorro não é louco. Concorda?"
"É, acho que sim" -disseAlice 
"Pois bem..." continuou o Gato, "Você sabe que um cachorro rosna quando está bravo e abana o rabo quando está feliz. Mas eu faço o contrário: Eu rosno quando estou feliz e abano o rabo quando estou bravo. Portanto, eu sou louco."

"Concordo inteiramente com você - disse a Duquesa. - E a moral disso é: 'Seja o que você pareceria ser'. Ou se você preferir isso dito de uma maneira mais simples: 'Nunca se imagine como não sendo outra coisa do que aquilo que poderia parecer aos outros que aquilo que você foi ou poderia ter sido não fosse outra coisa do que o que você poderia ter sido parecia a eles ser outra coisa" 
"Acho que eu poderia entender isso melhor - disse Alice de maneira muito educada - se estivesse tudo escrito. Mas, desse jeito, eu não consigo entender o que você quer dizer."

Lewis Carroll

Beethoven

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 14:05 0 comentários



Composição escrita entre 1804 e 1808. Permanece como uma das sinfonias mais populares e conhecidas da música erudita europeia



Jane Eyre

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 13:52 0 comentários
' Eu olhava e sentia um prazer agudo em olhar - um prazer raro, embora doce-amargo. Precioso, mas com uma ponta de agonia. Um prazer como o que um homem morto de sede deve sentir ao perceber que o poço até o qual se arrastou tem a água envenenada, água que ele, mesmo sabendo disso, beberá de qualquer forma. '

Charlotte Brontë

domingo, 15 de setembro de 2013

Cloud Atlas

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 15:36 0 comentários
Um milhão de motivos de Cloud Atlas ser uma das minhas histórias favoritas, não se trata só de amor romântico mas sim do amor em todas as suas formas. É uma história de redenção, de perdoar e aceitar o próximo, uma sinfonia tocando que somos todos iguais, responsáveis um pelo outro. É uma história de revolução, de não aceitar o que esta errado por não acreditar na mudança, e sim, sobre batalhas com todas as forças por uma sociedade igual, correta onde todos somos guiados pelos mesmos direitos e deveres. É uma história sobre mudar as nossas perspectivas e observar o outro através de seus próprios olhos, se colocar no lugar do próximo e pensar 'se fosse comigo, eu gostaria disso ?'. E é sobre o amor romântico, sobre o perdão, sobre amar sem esperar nada em troca, acreditar em só um amor por toda a vida, colocar sua felicidade aos pés do outro, é sobre lutar pelos mesmos ideais, estar ali sempre um para o outro. É sobre tudo e todos estarem conectados. A todo tempo, no passado, presente e futuro. 

"i believe death is only a door. one closes, and another opens. if i were to imagine heaven, i would imagine a door opening, and he would be waiting for me there."

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Guerra Fria

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 17:01 0 comentários
Para todas as coisas ruins que acontecem na sua vida só há um nome, Karma. Sinceramente, não sou o tipo de pessoa que deseja o mal para ninguém mas só pra avisar, você me fez um mal danado. Muitas vezes a dor que você me causou me fez chorar, cair no chão do banheiro e desejar morrer então, toda vez que você se sentir triste, toda vez que algo der errado na sua vida lembre-se, foi mais ou menos isso que eu senti.
Larga dessa pose toda, ninguém te elegeu pra porcaria nenhuma muito menos você é melhor do que ninguém. Você não é nenhuma Madre Tereza de Calcutá e não sei do resto mas da minha desgraça você também foi responsável.
Eu vou largar desse guerra fria, desse competição a distancia de quem é melhor e quem pode mais, me desgasta muito e eu não tenho tempo. Estou ocupada visualizando o meu sucesso sabe?
Então, como a Adele, 'eu não desejo nada mais do que o melhor pra você'. Desejo o melhor - e desejo distancia. Principalmente a segunda.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Amor suicida

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 18:05 1 comentários
Eu te amo tanto que chega até doer... e por te amar tanto assim fraca eu fiquei.
Deve ser por isso que eu teimo tanto em fugir, corro para longe assim que vejo sua sombra e nem percebo que estou correndo em círculos, não importa para onde vou sempre volto pra você.
Soa meio batida essa minha desculpa esfarrapada de 'nós não podemos ficar juntos', foi mais do que usada a de 'somos de mundos diferentes', já esta na cara que eu te amo e não quero admitir. Toda vez que essas palavras vão escapar pela minha boca eu viro uma esquina e desapareço da sua vista porque nós dois sabemos que sou medrosa e que não posso correr o risco de te deixar entrar na minha vida. Boba eu, você já entrou nela antes mesmo de eu saber, antes mesmo de perceber que você me amava e não importa onde, como ou quando eu iria te encontrar e nós iríamos nos apaixonar.
Desculpa mesmo, eu vou tentar ficar parada e escutar cada coisa que você tem para dizer pode até tentar colar os meus pés no chão eu cansei de fugir. Te amar me enfraqueceu ao ponto de não servir pra nada a não ser chorar. Essa confissão de te amar já estava entalada na minha garganta a um bom tempo e por você posso até correr o risco de ver meu coração quebrar porque você sabe tanto quanto eu que esse amor corre mais risco de acabar do que de dar certo.
Mas eu vou lá, eu aceito te deixar escancarar todas as minhas portas, derrubar todas as minhas muralhas, não ligo mais se no final vou ficar sozinha colhendo os cacos do meu coração. Eu não ligo mesmo. Eu vou sofrer e provavelmente não vou sobreviver ao nosso fim mas aceito esse amor suicida porque é dele que provem qualquer alegria ou felicidade que possa haver na minha vida - embora também venha dele toda minha dor e tristeza. Eu te amo muito, eu não vou mais interromper qualquer conversa séria entre nós, agora é pra valer, vou estar aqui calada a qualquer hora ou lugar do dia que você resolver aparecer e vou responder tudo com um abraço e um dia talvez consiga ser forte o suficiente pra te responder com essas três palavras que eu já cansei de ouvir vindas de você

domingo, 10 de março de 2013

Louca e Psicopata

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 07:46 0 comentários
Eu acho que sou a culpada. Eu te fiz acreditar em uma mentira deslavada que nunca existiu.
Talvez seja o fato de ter entrado um cliente mal educado na loja ou então foi o fato de a máquina registradora não parar de travar, o motivo não sei só sei que comecei a chorar ao lembrar de nós dois e depois que comecei não consegui parar de pensar nas razões e nos motivos de nosso fim.
Fui eu sabe... Eu agi feito uma louca psicopata quando te via andando por aí cercado de garotas bonitas, quando via o seu sucesso e olhava pra vinha vida estagnada, eu não te amava... Eu só queria ficar contigo pra te destruir, só que no meio de tanto ódio, depois que você saiu batendo a porta eu senti amor.
Deve ser a merda da culpa mas você tem ocupado cada centímetro do meu cérebro e não esta sendo uma coisa muito produtiva, principalmente se atendo ao fato de que tenho que trabalhar para pagar as contas daquela droga de apartamento vazio. Você não está lá e fui eu quem te afugentou, por ironia do destino sinto sua falta e quando digo que sinto é muito, muito mesmo, além da conta.
Não sinto falta das coisas bobas como deitar no sofá e ficar babando na sua camisa enquanto você vê um filme idiota, eu sinto é falta de você deixando as coisas jogadas pela casa e rindo da minha raiva ao brigar com você, de brigar pelo lado da cama, pelo espaço no armário, por "quem comeu o meu pedaço de bolo". Sou masoquista, só pode ser, mas não ter com quem brigar me da solidão e a gente brigava o tempo todo pra depois pular na cama e se amar até o inicio do outro dia.
Então esta aí! Desculpa tá bom! Agora volta pra casa por favor e eu prometo que não não vou remexer no seu casaco, olhar a sua agenda, revirar a sua lixeira e atender o seu telefone. Prometo vou ser uma boa menina... Eu descobri que te amo então volta tá bom?!
Agora me deixa trabalhar porque vou tentar consertar aquela máquina estragada que já tem uma fila enorme na porta da loja.

Beatriz Kollenz

sábado, 9 de março de 2013

Outono

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 07:47 0 comentários
Eu me apaixonei por ela em uma tarde de outono, quando a chuva cessava e o sol cismava em sair dentre as nuvens cinzas e carregadas de chuva.
A principio eu não a vi. Era só um vulto, um corpo escondido em uma capa de chuva amarela e desbotada, mas quando o vento levou aquela capa horrorosa embora eu pude ver o seu longo cabelo preto e os seus olhos azuis. Os olhos mais profundo que eu um dia vi, os olhos que traziam alegria e angustia com a mesma intensidade.
O mesmo vento que levou a chuva foi o que me trouxe o amor. Antes dela tristeza, dor, medo, alegria e amor eram só palavras e eu só conhecia a minha limitada realidade.
Me lembro de ficar ali, parado, observando-a correr atras daquela capa imunda, os seus cabelos dançando com o vento, os seus olhos brilhando entre os raios que trespassavam a chuva.
A partir daí a primeira coisa que aprendi foi a tristeza. A tristeza de não vê-la, a tristeza de não saber se um dia iria encontrá-la... Só ela eu podia sentir.
Depois me veio a alegria. Ela chegou sorrateira às seis e meia de uma quinta feira enrugada pelas ocorrência do dia. Quando achei que nada mais iria melhorar eis-me que a garota da capa surge, mais bela do que em minhas singelas memórias perguntando se podia sentar.
Conversamos durante todo o trajeto do ônibus e continuamos a conversar por mais duas horas após descermos no ponto. A alegria veio quando a beijei, quando senti seus lábios nos meus e vi toda a felicidade do mundo fluir pelas minhas veias.
O amor veio naturalmente enquanto passávamos o tempo juntos, sempre nos apoiando, sempre sorrindo, sempre cúmplices um do outro.
Agora vejo o que naquele tempo perdi. Enquanto eu mergulhava fundo nesse amor eu não pude ver que no fundo, ela desmoronava. Enquanto estávamos juntos ela se escondia em mim e eu não via o quanto ela estava sofrendo. Quando estava sozinha ela chorava e eu nunca entendi o porquê.
O medo veio quando a vi se afastar, os dias indo e nós separados, as ligações diminuindo, as visitas cada vez mais escassas. Eu me perdi na dúvida, senti a tristeza e tudo isso devido ao medo de perde-la. E aí eu enlouqueci, da forma que só o amor e o medo enlouquecem. Ninguém nunca diz mas o ciúme nos tira a razão, surge do medo da perda e desse medo nada de bom pode surgir.
Então eu fiz o que nunca deveria ter feito, eu que era a única âncora que a mantinha ali viva, parti. Mas não antes antes dizer o porquê, o porquê que nem mesmo lembro mais.
Perdi ela a mais de vinte metros do chão. Senti a dor, a dor do amor partido jogado junto do seu corpo. Dor em todos os lados, dor em todos os cantos da minha vida. E até hoje me lembro de seu rosto, a procuro em todos os lugares, luto para voltar àquela tarde de outono, a tarde em que conheci o meu amor. Vivo esperando a volta desse dia para conseguir dizer o quanto a amo, tudo, é isso que ela significa para mim... Nem estes trinta longos anos foram suficientes para esquecer da dor que senti quando não corri o suficiente para pegar nas suas mãos, puxa-la para perto e a impedir. Toda noite me lembro daquela cena. Ela pulando para um abismo vazio de onde nunca mais iria sair.

Beatriz Kollenz
 

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