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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Amargurar

Postado por Bia Kollenz às 09:15 0 comentários
Eu não sei como me suportas
Ranzinza, bronca, chata.
Se te peço uma rosa,
E tu me trazes um buquê,
Eu cuspo e jogo de volta.
E pode parecer torto meu amor
Mas no fundo,
Eu só estou lhe testando.
Quero ver o quanto tu aguentas.


No fim
Quando tu fores embora
Vou cair em prantos
Cerrar meus olhos
Desejarei não mais acordar.
Quando tu partires, amor
Vou me arrepender de cada gesto
Vou procurar aquele velho buquê,
Perdido entre as latas de lixo,
O abraçarei mesmo em pedaços
Cheirarei cada uma
De suas pétalas mortas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Poema

Postado por Bia Kollenz às 06:57 0 comentários

Nós todos somos criaturas ansiando por atenção
Gritamos sozinhas no escuro aguardando alguém nos ouvir
Esperando uma voz que responda:
- Eu estou aqui.
Nós somos todos filhos da dor e dor medo
Rezando baixo, clamando por amor
Esperando que Deus nos diga:
- Não se assuste, estou aqui.

Nós somos todos escravos da esperança
Mesmo sofrendo jamais deixamos de acreditar que algo melhor está por vir
Chorando alto pedimos clemência
Dói demais estar aqui.
Eu sou vazia e insegura
Choro sempre, mas nunca deixo uma gota cair
Perdida no escuro me sentindo estranha

Queria , muito que alguém me notasse aqui.

sábado, 11 de abril de 2015

Segredos

Postado por Bia Kollenz às 06:18 0 comentários
Segredos sussurrados
Escondidos debaixo do cobertor
Soprados em silêncio no ouvido
Palavras vazias que ganham sentido
Parecem outras quando vazam da boca
Mentiras verdadeiras
Que nunca seriam ditas se não fosse no escuro
Arrepio subindo pela espinha
Subindo pela coluna e terminado em suspiro
Um abraço cúmplice
Um juramento tantas vezes proferido
Vindo da boca de tantos amantes
Um beijo sela o trato
Estes segredos não vão sair desse quarto
Ficarão sepultados em nossos peitos
E também nessas quatro paredes

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Pablo Neruda - Poema 20

Postado por Bia Kollenz às 05:09 0 comentários
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe”.

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela quis-me e por vezes também eu a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la!
Está estrelada a noite e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Como para aproximá-la, o meu olhar procura-a.
Meu coração procura-a e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Porém, nós já não somos os mesmos desses dias.

Já não a amo, é certo, mas quanto a amei!
Minha voz buscava o vento para tocar os seus ouvidos.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A sua voz, o seu corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é certo, mas talvez ainda a ame.
É tão breve o amor e tão longo o olvido.

Porque em noites como esta tive-a nos meus braços,
Minha alma não se conforma com tê-la perdido.

Embora esta seja a última dor que ela me causa,
E estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
 

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