sexta-feira, 8 de maio de 2015

Café

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 05:08
   Foi com muita dúvida que Leonini entrou no café. Nunca andara por aquelas bandas, mas a sede era tanta que ele se viu obrigado a entrar no estabelecimento. Sentou em uma mesa de canto, notou como era um lugar duvidoso e se contentou com o fato de que não demoraria muito. Veio o garçom e ele pediu uma xícara de café. Enquanto esperava abriu o jornal que carregava e pôs-se a ler. Foi com surpresa que indagou ao garçom o que era aquilo quando o mesmo lhe entregou um envelope ao invés de uma xícara:
- Isso é exatamente o que o senhor pediu, uma xícara de café.
- Você por acaso acha que estou louco? Estou olhando nitidamente uma carta e não a porcaria de um café!
- Mas Senhor, é exatamente do que o senhor precisa, seu café.
   Levantou então aos xingamentos, carregando o envelope e esquecendo o jornal. Teria jogado fora se não contasse o seu sobrenome no remetente. “Ao Sr. Beloto” era o que dizia, em seu conteúdo apenas o endereço da próxima esquina. Foi com curiosidade que caminhou até a lá. Mal chegou, quando um camarada alto e careca, com uma baita japona preta lhe abordou. Perguntou se ele era o Sr. Beloto, ele acenou que sim. Recebeu de recompensa três tiros à queima roupa.
   Na cafeteria, o Ex.mo Marcontes, dono da boca, questionava o garçom o porquê do Sr. Beloto estar alegremente sentado em sua mesa, lendo o jornal e tomando café em vez de estar morto. O garçom temeroso respondeu que entregara a carta como exigido e que o vira seguir até o endereço.

   Sentado sem fazer a menor ideia de sua sorte, Tony Beloto apreciava o café e se punha a par das notícias do dia, sabia que seria corrido.

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