quinta-feira, 5 de março de 2015

A Rua Limoeiros

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 05:25
   Olhando bem a Rua dos Limoeiros não era bem o que aparentava. Embora fosse uma rua em um bairro tradicional da cidade de Montanhosa, era repleta de velhas casas abandonadas. Mas apesar de parecer sombria a imagem de um local com casas velhas e decrépitas, não havia nada de assustador na Limoeiros. Ou era pelo menos a impressão que passava. Tinha várias árvores, calçadas conservadas, poucas residências. Não parecia um lugar desagradável.
   Carlos Henrique, bom morador de Montanhosa, rapaz digno e trabalhador, estava seguindo sua rota normal pelo bairro São Joaquim, o fatídico local que abrigava a Rua dos Limoeiros. Era agente sanitário da cidade. O trabalho do dia consistia em visitar casas para o combate a dengue. A rua retratada nesta história era abrigada de muitos prováveis focos da doença. Casas velhas e locais abandonados eram cheios de locais para abrigar água parada da chuva, e consequentemente abrigar as larvas do temível mosquito.
   Apesar de ser obvio que a rua em questão fosse um local necessário de se visitar, nunca tinham destacado alguém para fazer a rota pela tal rua. Carlos seguiu seu caminho pelo bairro em direção a Limoeiros. Não precisaria de licença para invadir as casas, só precisava entrar nas devidas moradias e acabar com os focos da doença. Trabalho rápido devido às dimensões da localidade.
   As coisas ficaram meio estranhas no momento em que ele cruzou a esquina que dava acesso a Limoeiros. Quando ele botou os pés no primeiro centímetro da calçada, uma brisa fria o atingiu, apesar de ser janeiro. Sentiu um arrepio em seus braços e a leve sensação de que algo o seguia. As muitas folhas que existiam pelas calçadas eram sopradas pelo vento lançando um barulho aterrador enquanto ele caminhava rua adentro. Ele sentiu um medo incontestável. Embora a rua fosse abandonada, tinha a sensação de estar com mais alguém ali.
   O medo levou Carlos a desistir de fazer essa parte da rota. Não aguentaria nem mais um minuto naquele lugar. Quando se virou para redobrar a esquina e se ver livre de tal rua aterradora teve um choque. Os poucos metros que havia andando rua adentro, agora pareciam quilômetros sem fim. Enquanto mais andava para sair de seu aprisionamento, mais parecia que havia caminho a percorrer.

   O desespero foi à primeira coisa que o atingiu. A segunda foi à certeza de que iria morrer sem nunca mais sair dali. Das sombras ouviu o primeiro passo e com ele veio o seu fim.

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