quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Perfume

Postado por Beatriz Kollenz Gama às 07:07
   Cheirei o travesseiro e senti o seu cheiro. Tratei logo de ligar o ventilador e colocar o colchão na varanda. Fiz uma mandinga e coloquei a manta na máquina de lavar. Eu fiz de tudo para te afastar amor. Verdade seja dita, eu não te quero mais. Coisa ruim traz negatividade e você já empestou demais o ar por aqui.
   Eu fui à cozinha preparar um café amargo, que é pra tirar o seu gosto da boca. Depois tomei um banho quente e demorado. Esfreguei a carne até ficar vermelha. Não quero marca nenhuma dos seus dedos em mim. Eu estava séria quando pedi para sair e desculpa se fui meio brusca, mal educada. Sei que não tinha o direto de jogar suas coisas pela janela e queimar o seu computador. Mas vejo as coisas deste lado, o lado que cansou de ser mal amada e iludida acreditando que tudo chegaria ao fim.
   Pensando bem, eu mudei. Fiquei mais forte e amarga, a simples lembrança sua é algo que não consigo suportar. Para te apagar queimei todas suas cartas e fotos. Desinfetei os quartos, a cozinha, a sala com água sanitária e defumador. Se pudesse até sumia com você do mundo. Te apagaria sem problema algum. Você desapareceria dos registros funerários, das noticias e dos jornais. Por mim você nunca teria existido. Tudo para não cruzar com você por aqui.
   Pra não falar que não avisei, toma cuidado. Você sabe os horários em que vou para academia, sabe onde eu como e quando durmo. Sabe bem a placa do meu carro, eu iria detestar te atropelar por aí. Ter que limpar os seus pedaços do para-choque daria muito trabalho, coisa que você nunca mereceu vindo de mim. Podia sim ter uma morte maldita, digna dos filmes péssimos de terror que me obrigava a assistir. Por mim você não merece nada. Era só isso que queria te contar, só para o caso de precisar saber.

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