quarta-feira, 4 de março de 2015

João

Postado por Bia Kollenz às 05:49 0 comentários
   Nem sempre as coisas foram fáceis para João. Na sua casa seus pais viviam brigando e sempre que ia a escola ficava encabulado perante novos amigos. Com sua timidez acabou distanciando os outros e se tornou um bocado sozinho. Quando ingressou na quarta série conheceu André e foi amizade à primeira vista.
   André era o típico menino gente boa. Falava com todos, tinha boas notas, muitos amigos, boas maneiras, mas o que André mais amava eram os livros. Ele adorava ler romances de suspense e aventura. Divertia-se com Julio Verne, se assombrava com Stephen King. Para ele mais mágico que os livros eram os escritores. Foi isso que ele viu em João.Um menino que era quieto, mas que por algum motivo adorava escrever. João escrevia para escapar da solidão, esquecer-se dos problemas em casa, rir quando estava um pouco triste. Se alguém ria dele na escola, João contava a história de um menino que ria dos outros e foi engolido por um buraco negro. Se seus pais discutiam e o mandavam para o quarto, pimba! Surgia um conto de pais que foram levados para marte por alienígenas. Apesar de ser um escritor vingativo nas horas vagas, João amava mesmo escrever. E ele era muito bom nisso.
   A amizade entre os dois surgiu de uma maneira simplória. André viu um menino lendo’ Volta ao mundo em 80’ dias e logo pensou “alguém que goste de ler, vou lá conversar!”. Quando se aproximou de João, viu que ele apesar de tímido gostava muito de livros, e também de aventuras, e de contar histórias. A conversa entre os dois fluiu, e a amizade surgiu quase que num passe de mágica. Passaram a sair juntos, ir às bancas de jornal após a escola comprar quadrinhos, recomendar livros e séries entre si e depois discuti-las juntos. A vida então passou não a ser mais fácil, mas ao menos ser mais divertida para João. Se as coisas ficavam pesadas ele agora tinha alguém com quem conversar.
  O grande problema veio quando os meninos mais velhos começaram a judiar de João. Para os outros meninos era incompreensível um garoto além de gostar de ler, ficar dizendo asneira como “vou ser um escritor” quando lhe perguntavam sobre o futuro. Impossível um Zé ninguém, magricela e esquisito, de uma escola de fim de mundo ser algum dia um escritor importante. João não se importava, mas André sim. Por seu amigo ser um cara até bem popular, João não era alvejado o tempo todo. As coisas consistiam mais em encontrões e bilhetinhos sem graça lançados na mochila dele. André perguntava quem tinha feito isso, João dizia “deixa para lá”.
   Mas um dia tudo mudou. Um idiota do time de futebol havia como sempre empurrado ele na escola, sua mochila se abriu, livros caíram. As coisas não teriam passado disso se o moleque não tivesse pegado seu livro favorito e pisado nele. Um livro pisado era coisa mais dolorosa d o mundo. Era o bastante para qualquer amante da literatura se revoltar. Ele então fez o que jamais tinha feito. Reagiu. Ele empurrou o menino de volta. O que rendeu a ele um soco na cara e o seu livro ficar todo rasgado e sujo na lata de lixo.
   Depois que tudo passou ele foi remexer no lixo. André chegou logo nesse momento. Viu a figura do amigo sangrando machucado e debruçado sobre o lixo. Seus pertences todos esparramados pelo chão. A cena foi de cortar o coração de André. Mas o que mais o incomodou foi o sorriso de dentes quebrados que João fez quando o viu. Doeu muito ver a alegria do outro menino quando ele chegou e o ajudou a guardar tudo que estava pelo chão. Esse sorriso nunca saiu da sua cabeça.
  Hoje em dia João escreve livros. Seu último se tornou um Best Seller. André vai sempre às reuniões de família, feiras literárias. Seus filhos são amigos. O tesouro mais importante da estante de João é o exemplar de ‘Volta ao mundo em 80 dias’ que André lhe deu quando o seu foi destroçado pelo artilheiro do time da escola. Mal ele sabia ao dar o presente a João, que o livro só era o seu preferido porque tinha feito a amizade entre os dois surgir.

   Quando as pessoas entrevistam João, ele diz que o momento mais importante da vida dele, o que o definiu como escritor, foi o dia em que ele, mesmo com os dentes quebrados e sujos de sangue, conseguiu sorrir. Porque nesse dia ele teve a certeza de que não só alcançaria os seus sonhos e faria todos pagarem por terem duvidado dele, como também viu que sempre alguém estaria lá para ajudá-lo. E esse alguém sempre seria o seu amigo, André. 

terça-feira, 3 de março de 2015

Os Três Homenzinhos na Floresta

Postado por Bia Kollenz às 09:15 0 comentários
Irmãos Grimm

Havia um homem cuja mulher morrera, e uma mulher cujo marido morrera; e o homem tinha uma filha, e a mulher tinha uma filha também.


As meninas vieram a se conhecer, foram passear juntas e, mais tarde, chegaram à casa da mulher. Esta disse, então, à filha do homem:

- Escuta, dize a teu pai que eu gostaria de me casar com ele; terás, todas as manhãs, leite para te lavares e vinho para beber; minha filha porém, terá água para se lavar e água para beber.

A menina foi para casa e contou a seu pai o que a mulher havia dito.

- Que devo fazer? – disse o homem. – O casamento é uma alegria mas é, também um tormento.

Por fim, como não conseguisse tomar decisão alguma, descalçou sua bota e disse à filha:

- Pega esta bota, que tem um furo na sola, leva-a ao sótão, pendura-a no prego grande e despeja-lhe água dentro. Se ela contiver a água, decido que tomo de novo uma esposa, mas se a água escorrer, decido que não.

A menina fez como lhe fora ordenado, mas a água retraiu o furo, e a bota ficou cheia até a borda. Ela comunicou o resultado ao pai, e ele, então, subiu pessoalmente. Quando viu que a filha tinha razão, foi ter com a viúva, pediu-lhe a mão, e o casamento se realizou.

Na manhã seguinte, quando as duas meninas se levantaram, a filha do homem encontrou leite para se lavar e vinho para beber; para a filha da mulher, porém, havia água para se lavar e água para beber. Na segunda manhã, tanto a filha do homem como a filha da mulher encontraram água para se lavarem e água para beber. E, na terceira manhã, a filha do homem tinha água para se lavar e água para beber, e a filha da mulher tinha leite para se lavar e vinho para beber. E assim continuou dali por diante.

A mulher tomou ódio da enteada e, de dia para dia, não sabia mais o que fazer de pior para ela. Além disso, tinha-lhe inveja, pois a enteada era bela e graciosa, enquanto sua própria filha era feia e repugnante.

Certa vez, no inverno, quando tudo se congelara espessamente e a montanha e o vale jaziam cobertos de neve, a mulher fez um vestido de papel, chamou a menina e disse:

- Toma este vestido, veste-o e vai à floresta colher para mim um cestinho cheio de morangos. Estou ansiosa para comê-los.

- Meu bom Deus, – disse a menina – no inverno não crescem morangos, a terra está congelada, e a neve cobriu tudo! E por que devo ir com este vestido de papel? Lá fora está tão frio que chega a gelar o hálito. O vento passará através do vestido, e os espinhos o arrancarão do meu corpo.

- Ousas contradizer-me? – retrucou a madrasta. – Trata de ir e não me apareças antes de teres o cestinho cheio de morangos.

Deu-lhe ainda um pedacinho de pão duro e disse:

- Com isto, terás o que comer durante o dia.

E pensou: "Lá fora, acabará enregelando-se e morrendo de fome, e nunca mais aparecerá diante dos meus olhos."

A menina, então, obedeceu, pôs o vestido de papel e saiu com o cestinho. Por toda parte, não havia outra coisa a não ser neve, e não se enxergava um só talinho verde. Chegando à floresta, ela viu uma casinha onde três homenzinhos espiavam pela janela. Ela desejou-lhes bom-dia e bateu discretamente a porta. Eles chamaram-na para dentro, e ela entrou na salinha e sentou-se num banco junto ao fogão; queria aquecer-se e comer sua refeição. Os homenzinhos disseram:

- Dá-nos também um pouquinho!

- Com todo o prazer – respondeu ela, e partiu em dois seu pedacinho de pão, dando-lhes a metade.

Eles perguntaram:

- Que queres aqui na floresta, em pleno inverno, com esse vestidinho tão fino?

- Ah, – respondeu ela – preciso procurar morangos para encher este cestinho, e não posso voltar para casa sem levá-los comigo.

Tendo ela acabado de comer seu pão, eles deram-lhe uma vassoura, dizendo:

- Tira com ela a neve da porta dos fundos.

Enquanto ela estava lá fora, os homenzinhos puseram-se a conversar entre si:

- Que lhe devemos dar de presente por ser tão gentil e bondosa, e por ter repartido seu pão conosco?

Então, o primeiro disse:

- O meu presente é que ela se torne cada dia mais bela.

E disse o segundo:

- O meu presente é que lhe caia da boca uma moeda de ouro, sempre que pronunciar uma palavra.

E o terceiro disse:

- O meu presente é que venha um rei e a tome por esposa.

A menina fez como os homenzinhos lhe haviam mandado, tirou com a vassoura a neve que havia atrás da casa, e o que pensais que ela encontrou? Uma grande quantidade de morangos maduros, bem encarnados, que surgiam por entre a neve. Cheia de alegria, apressou-se em apanhá-los e encher seu cestinho, agradeceu aos homenzinhos, apertando a mão de cada um, e correu para casa, pois queria levar à madrasta o que ela lhe exigira. Quando entrou e disse "Boa-noite!," imediatamente caiu de sua boca uma moeda de ouro. Contou, então, o que lhe havia sucedido na floresta e, a cada palavra que pronunciava, caíam-lhe da boca moedas de ouro, de modo que logo toda a sala se cobria delas.

- Olha só que leviandade – exclamou a filha da madrasta – jogar dinheiro dessa maneira!

No intimo, porém, estava com inveja da irmã e também queria ir até a floresta procurar morangos e falou de sua intenção à mãe, que disse à filha:

- Não, minha querida filhinha, está frio demais e poderias ficar enregelada.

Como, no entanto, ela não lhe desse mais sossego, acabou consentindo. Fez-lhe um magnífico casaco de pele, que ela vestiu, e deu-lhe pão com manteiga e bolo para comer no caminho.

A menina entrou na floresta e foi direto à pequena casinha. Os três homenzinhos lá estavam de novo espiando pela janela; ela, porém, não os cumprimentou e, sem ao menos voltar o olhar para eles, entrou pela sala adentro, sentou-se ao fogão e começou a comer seu pão com manteiga e seu bolo.

- Dá-nos também um pouquinho! – exclamaram os homenzinhos.

Ela, porém, respondeu:

- Mal chega para mim, como posso dar aos outros?

Quando acabou de comer, disseram eles:

- Aqui tens uma vassoura. Vai lá fora, varre com ela diante da porta dos fundos e deixa tudo limpo.

- Ora, varrei vós mesmos! – respondeu ela – Eu não sou vossa criada.

E, vendo que eles não lhe queriam dar nada de presente, saiu pela porta afora.

- Que lhe devemos dar por ser tão descortês e malcriada, e por ter um coração mal e invejoso, e por não repartir nada com ninguém? Eles se perguntaram.

Disse o primeiro:

- O meu presente é que ela se torne cada dia mais feia.

E disse o segundo:

-O meu presente é que lhe salte da boca um sapo, a cada palavra que pronunciar.

E disse o terceiro:

- O meu presente é que morra de morte horrível.

Lá fora, a menina procurou morangos. Como não achou nenhum, foi para casa aborrecida. E, quando abriu a boca, querendo contar à mãe o que lhe sucedera na floresta, a cada palavra que proferia, saltava-lhe da boca um sapo, de modo que todos tomaram aversão por ela.

A madrasta, então, zangou-se mais ainda e só pensava na maneira de causar todo tipo de sofrimento à enteada, cuja beleza aumentava de dia para dia. Por fim, pegou um caldeirão, pôs no fogo e ferveu fios dentro dele. Depois de fervidos, pendurou-os nos ombros da pobre menina e lhe deu um machado, mandando-lhe que fosse até o rio congelado, fizesse um buraco no gelo e enxaguasse os fios.

Obedientemente, ela foi até lá e se pôs a dar machadadas no gelo para abrir um buraco; ainda estava ocupada nisso, quando apareceu uma suntuosa carruagem, dentro da qual estava um jovem rei. A carruagem se deteve, e o rei perguntou:

- Minha pequena, quem és tu e que fazes aí?

- Sou uma pobre menina e enxaguo fios.

Então, o rei teve pena e, vendo que ela era tão bela, disse:

- Queres vir comigo?

- Oh, sim, de todo o coração – respondeu ela, contente de poder ficar longe das vistas da mãe e da irmã.

Assim, subiu na carruagem e foi embora com o rei. Quando chegaram ao castelo, o casamento foi festejado com grande esplendor, pois o jovem já estava apaixonado pela aquela bela moça, conforme os homenzinhos lhe haviam desejado.

Passado um ano, a jovem rainha teve um filho. A madrasta, ouvindo falar de sua grande felicidade, foi com sua filha ao castelo, sob o pretexto de fazer uma visita. Mas como, em dado momento, o rei se ausentou e não havia mais ninguém por perto, a malvada mulher agarrou a rainha pela cabeça, e sua filha agarrou-a pelos pés, tiraram-na da cama e jogaram-na pela janela, na correnteza do rio que por ali passava. Em seguida, a filha feia deitou-se na cama, e a velha cobriu-a até a cabeça. Quando rei voltou e quis falar com sua mulher, a velha disse:

- Psiu... silêncio! Agora não é possível. A rainha está suando muito. Hoje deveis deixá-la repousar.

O rei não viu maldade nisso e voltou na manhã seguinte. Quando falou com sua mulher, a cada resposta que ela lhe dava, saltava-lhe um sapo da boca, quando antes caía uma moeda de ouro. Então, ele perguntou o que era aquilo, mas a velha respondeu que era conseqüência do forte suadouro e que logo passaria.

À noite, porém, o ajudante de cozinha viu uma pata que, nadando pela sarjeta, chegou e disse:

- Ó rei, que fazes aí?

Estás a velar ou estás a dormir?

E, como ele não lhe desse resposta alguma, ela perguntou:

- E como estão minhas visitas?

Então o ajudante de cozinha respondeu:

- Profundamente adormecidas.

E ela continuou:

- Que está fazendo o meu filhinho?

E ele respondeu:

- Está dormindo em seu bercinho.

Então, retomando o aspecto de rainha, ela subiu, amamentou o filhinho, ajeitou-lhe a caminha, cobriu-o bem e, retomando a forma de uma pata, foi-se embora de novo, nadando pela sarjeta. Assim, ela veio por duas noites. Na terceira, disse ao ajudante de cozinha:

-Vai, e dize ao rei para apanhar sua espada e, na soleira da porta, brandi-la três vezes sobre mim.

O ajudante de cozinha correu a falar com o rei, que veio com a espada e a brandiu três vezes sobre o espírito; na terceira vez, estava diante dele a sua esposa, radiante, cheia de vida e saúde como antes.

O rei sentiu grande alegria, mas conservou a rainha escondida num aposento até o domingo seguinte, quando a criança deveria ser batizada. Terminada a cerimônia, ele perguntou à mulher:

- Que merece uma pessoa que arranca outra da cama e a atira ao rio?

- Nada melhor – respondeu a velha – do que meter a malvada num barril crivado de pregos e rodá-lo montanha abaixo para dentro d'água.

O rei, então, disse:

- Proferiste tua própria sentença.

E mandou buscar um barril assim, e mandou meter dentro dele a velha com sua filha; e o fundo do barril foi pregado, e o barril foi posto a rolar montanha abaixo, até que rodou para dentro do rio.

Gaivotas

Postado por Bia Kollenz às 04:48 0 comentários
   A gaivota lançou voo mais cedo nesta manhã. Cruzou o céu e parou perto de um banco. E enquanto cruzava o céu mal notou o avião que seguia para algum lugar distante, trazendo despedidas e reencontros no seu destino. Cruzando a avenida, um carro seguia pela pista. Dirigia devagar para poder observar o mar e observar as gaivotas que resolviam seguir sua irmã ao cruzar o céu.
   Perto do banco onde a gaivota pousava estava um senhor, distraído jogando migalhas no chão, tentando alimentar a pobre gaivota. Enquanto lançava os grãos ao chão, lembrava-se de sua casa, de sua esposa, e de como iria explicar o que havia acontecido. Como explicar onde havia dormido. Em meio a suas divagações e migalhas, ele mal notou as ondas batendo e quebrando na praia. Nem percebeu as pessoas que caminhavam pela calçada, cruzando com cuidado pela avenida em direção à praia. Com suas pranchas, seus sonhos, todo um dia pelo caminho.
   E pela orla uma jovem seguia a sua corrida matinal. Gostava de correr a beira mar. Correr observando o início do dia, todos os seus sonhos parecendo possíveis a sua frente. Seu cabelo preso no topo de sua cabeça balançava, o que ela ouvia era uma mistura de música tocando por seus fones de ouvido e o cantar do mar. De longe um rapaz observava a jovem em sua corrida. Perguntando se hoje seria o dia em que finalmente ia dizer a ela o que vinha sentindo. Debruçado no balcão de seu quiosque ele sempre a observava correr pela manhã. Sempre sonhado com o dia que ela o perceberia.

   A gaivota desistiu do banco e do velho senhor. Lançou voo mais uma vez de encontro com suas irmãs. O dia apenas começava. De longe despontava o nascer do sol.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Entre as borboletas

Postado por Bia Kollenz às 09:51 0 comentários
   Acordou mais cedo que o normal, e sentindo um barulho semelhante ao som de sinos correu pelo quarto e se debruçou sobre a janela. Estranhamente não encontrou nada de diferente passeando pelo jardim. Então vasculhou todo seu quarto. Olhou as gavetas onde sua mãe guardava suas roupas, procurou entre suas bonecas favoritas, seus laços e enfeites de cabelo e nada encontrou. Então pensou ser Bola de Pelos, e saiu de fininho sem fazer muito barulho, porque a porta do quarto de seus pais ficava bem em frente a sua. Mas o gato estava deitado em sua caminha e não era então sua coleira que fazia aquele barulho engraçado.
   Ela seguiu assim para a cozinha, já que do barulho nada havia encontrado. Com toda a graciosidade que uma menina de seis anos pode ter, abriu o armário secreto – que de secreto não tinha nada para ela – onde sua mãe guardava doces e chocolates. No momento em que ela colocou o primeiro pedaço da barra do chocolate em sua boca, novamente escutou o som que se mostrava mais próximo dessa vez.
   E ela viu então uma borboleta, a maior e mais bela borboleta azul que já havia encontrado na vida. Resolveu segui-la.
   Saiu pela portinha reservada para Bola de Pelos poder passear e desceu atrás da borboleta pelos canteiros floridos de seu quintal. Como Alice uma vez fez, correu sem pestanejar atrás da borboleta até chegar perto de um carvalho velho que se localizava próximo a garagem dos fundos.

   Depois dele não tinha mais ruas, ou cercas, ou casas, somente o início do que gostava imaginar ser uma floresta. Mas era só um amontoado de árvores que delimitava o quintal do fazendeiro e o seu jardim. Então ela perseguiu a borboleta e sem perceber havia atravessado o véu mágico que separava o nosso mundo do mundo das fadas. E ela mal podia imaginar que demorariam anos para ela voltar para casa, e que sua aventura havia apenas começado. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

TAG: 10 livros que mais me influenciaram

Postado por Bia Kollenz às 07:11 1 comentários


Tenho visto essa tag e um bom tempo e resolvi responder :)






1- Contos de Fadas: não é um livro e sim um gênero, e é o que me iniciou na leitura. Quando era criança minha mãe comprava vários livros de contos e sempre lia para mim antes de dormir. Quando ela não queria ler, ou estava cansada - e também no caso dos meus contos favoritos que lia sem parar, como o da Bela Vasilissa - eu pegava e lia e foi assim que comecei a ler, bem pequenininha.






2- Quadrinhos: começou a me introduzir no mundo da literatura junto dos contos de fadas, e apesar de não ser bem relacionado com essa lista, eu vou ter que incluir já que considero um gênero de leitura igualmente importante e significativo na minha vida. Foi com a Turma da Mônica que eu comecei, e depois parti para os vários gibis da disney e afins até chegar aos magás, que são o meu amor. Considero um dos meus autores favoritos o Inio Asano, e acho que TODO mundo deveria ler pelo menos algum mangá dele porque tratam de temas muito importantes, além de emergirem fundo na psique humana. Também foi assim que conheci autores asiáticos como o Kazuo Ishiguro e Haruki Murakami que são responsáveis por alguns dos meus livros favoritos.






3- Harry Potter: é o mais clichê nessa lista e para as pessoas da minha geração. Minha mãe comprou o primeiro assim quando saiu no Brasil de presente para eu e meu irmão e sempre lia para nós antes de dormirmos. E foi com Harry Potter que comecei a ganhar livros de presente de Natal, dia das crianças, aniversário... E com Harry Potter o gosto pela leitura se intensificou, meu amor por estórias mágicas e extraordinárias, por fantasia e livros desse gênero se firmou e eu passei a buscar mais coisas desse assunto e a ler cada vez mais. Foi com Harry Potter que minha mãe parou de ler para mim e que eu comecei a ser uma leitora independente.






4- Poliana: foi o primeiro livro que peguei na biblioteca completamente sozinha, sem indicação de ninguém e que amei. A história me cativou e começou a ensinar uma coisa que demorei anos para finalmente aprender, que é a importância de ser positivo e ver o lado bom das coisas. Foi em Poliana que me descobri shipper, porque ficava o tempo todo lendo sobre a Poliana e o Jimmy e achava eles a coisa mais fofa do universo, torcia ferrenhamente para que ficassem juntos até a conclusão da história em Poliana Moça.






5- Crepúsculo: apesar de hoje em dia não achar mais a série a bola toda que achava quando tinha 15 anos, Crepúsculo foi importante porque me apresentou o mundo do ebooks, como nem sempre tinha na biblioteca os livros que queria ler, nem sempre eles estavam sendo lançados no Brasil, ou então faltava muito para alguma data comemorativa eu passei a freqüentar sites como o PDL, e buscar livros para ler no meu computador.






6- Orgulho e Preconceito: foi o primeiro grande clássico que li e que me introduziu nesse mundo dos livros antigos. Depois de Jane Austen, a maioria das minhas leituras virou clássica e eu passei a me apaixonar por esse mundo incrível da literatura que eu até então não havia descoberto.






7- Morro dos Ventos Uivantes: foi o primeiro livro que eu tietei e obriguei os outros a ler, foi o primeiro que eu considerei "o melhor livro da minha vida" e apesar de ainda estar na lista, não ocupa mais o primeiro lugar. Também foi o livro que me apresentou as irmãs Brontë que são a minha mais completa paixão.






8- Jane Eyre: foi a personagem com quem eu mais me identifiquei em toda a vida, além de disputar o tempo todo o primeiro lugar da minha lista de "o melhor livro da minha vida", me trouxe todos os sentimentos do mundo enquanto lia, e o final foi a coisa mais linda. Livro incrivelmente feminista e importante para qualquer pessoa.






9- Os Miseráveis: existem dois tipos de dia em minha vida, o dia em que Jane Eyre é o melhor livro do mundo e o dias em que o Victor Hugo leva esse prêmio. Os Miseráveis é o melhor livro em 80% do ano e é a minha mais absoluta paixão. É o livro mais importante do universo para mim porque mudou meu caráter, minha forma de julgar as pessoas, me ensinou a importância do perdão, me livrou de vários preconceitos e ainda me levou para o universo dos livros políticos e que discutem assuntos desse gênero. Eu amo tudo em relação aos Miseráveis, já vi filmes, séries, musical, anime, li manga e mais todo tipo de coisa baseada na obra de Victor Hugo, se você nunca leu precisa MUITO ler.






10- Jogos Vorazes: foi a série de livros que conseguiu o que até então ninguém havia conseguido fazer desde Harry Potter, que é me conquistar e me levar a este mundo me deixando sedenta por livros e filmes da saga. É uma história estupidamente importante devido a sua crítica a sociedade, e foi o livro que me introduziu às distopias e ainda me fez buscar histórias que, como o livro, tem o objetivo de fazer uma crítica e uma sátira a nossa sociedade, adoro ler esse livros, conversar e discutir com meu namorado tudo que li e como se aplica na nossa realidade. É incrível como um Admirável Mundo Novo, escrito na década de 30, permanece sendo estupidamente atual, ou mesmo Os Miserávies e 1984 que também são aplicáveis ao nosso dia a dia.

sábado, 26 de abril de 2014

O quebra nozes

Postado por Bia Kollenz às 09:50 0 comentários
Tchaikovsky é um dos meus compositores favoritos, e suas obras renderam lindas óperas e balés. O quebra nozes é uma das minhas peças favoritas, além de ser uma história que sempre me tocou muito desde criança. Essa apresentação é linda e fez jus a magnitude de Tchaikovsky.



  • Sobre a solidão

    Postado por Bia Kollenz às 09:42 0 comentários
    Você acorda de manhã e olha para o lado, e não há ninguém lá. Você anda em direção ao banheiro e tem uma idéia brilhante, mas não há ninguém para quem contar. E você corre mais rápido do que qualquer maratonista em direção ao ônibus e consegue entrar, mas não a ninguém para dizer o quanto você foi incrível. Você lê uma noticia, vê um filme, lê um livro e não há com quem conversar. E quando você chega em casa, esgotado de todo um dia de trabalho, por mais feliz que tenha estado, por mais que tenha tido toda a sorte do mundo, mesmo com o filme, com o livro, com o ônibus, com aquela ideia incrível, você se sente triste... De nada adianta todas as coisas do mundo se você ainda está solitário. De nada adianta ter sucesso e ser feliz se não há com quem compartilhar.
     

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